segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Fisterra, em galego.

Cabo Finisterre ou Fisterra em Galego, recebeu este nome dos Romanos que ali habitaram, há milhares de anos. Quer dizer Finis Terrae, ou seja "fim da Terra". Eh considerado o ponto mais avancado a noroeste da peninsula Iberica. É onde os pe...regrinos chegam, depois de concluir seu trajeto em Santiago de Compostela. Vão até Finesterre para se banhar no mar e queimar alguma peça de suas vestes. Só assim o Caminho foi concluído. Eu imagino quão difícil é se banhar nas águas geladas do Atlântico Norte. Mesmo no verão dizem que é insuportavelmente fria. Fica a 80km adiante de Santiago de Compostela. Assistam o filme The Way The Movie para ver, no final, uma cena em Finisterre.See More


Nadal en Galicia! 2013...


Fênix...


29-12-2013

Banhada em estrelas, me despi ao luar de todos os mantos pesados que o inverno me colocou no corpo. Protegida, esqueci como era o toque leve do vento na pele e o calor do sol no rosto. Nem sabia como era ser solta, alegre, livre...desapegada das roupagens que o tempo me incutiu. A culpa era lastro ferrenho, amargo, dolorido, como uma flechada no peito.  Nem sabia que podia experimentar   outra dimensão, mais etérea, mais sutil...Avancei anos a fio, tecendo a trama do meu destino com restos e fiapos do passado. E percebia, no padrão que construía, que havia remendos aqui e ali. Foram anos, décadas, de ilusão e enganos que, ao final, acabou inconsútil. Quando dei por mim, o tempo havia fugido por entre dedos e só restava virar a página. Mergulhei na alma que soçobrava e, das réstias de luz que ainda flutuavam, resgatei o pouco de mim que sobrara. Fui me recolhendo, aos poucos, lentamente. Do peso acumulado por horas intermináveis, armadura perfeita dos que se ocultam, se escondem, pus um ponto final. Já Fênix, ganhei outras asas e saí na direção do infinito. Agora estou segura...Agora sou eu!   

29-12-2013

Hoje, desatei o nó de meu barco que estava no cais, e ganhei o mundo...Tive medo! Será que?...Será que? E se...? Lembrei-me então que somos feitos da mesma matéria das estrelas, para brilhar, para cintilar no céu, apesar da escuridão e do vazio. Ganhei forças e fui medindo, somando e subtraindo, todos os ganhos, todas as perdas. Ganhou a coragem de arriscar, de descobrir a minha Finisterre (fim da Terra). Conta a tradição galega que o caminhante, ou peregrino, depois de ter sofrido todos os desafios do Caminho de Santiago, ter passado fome, frio, e ter sido fustigado pela chuva gelada que cai quase sempre no trajeto, deverá ir um pouco mais adiante do marco de chegada, banhar-se no mar em Finesterre, e queimar uma peça de roupa que usou no percurso. Exausto pelo esforço de semanas a caminhar, resta-lhe, ainda, enfrentar a derradeira prova de coragem e fé. E ele vai...Não pesa seu cansaço nem teme ficar no meio do caminho. Só assim terá sido coroado com êxito e vencido a si mesmo. Uma vitória particular e interior. Eu, como esse peregrino sinônimo de resiliência, palmilhei o que julgara improvável desde que tomei o leme da minha nau. Meu rito de passagem, foi muito menor que o desse viajeiro do Caminho, porém repleto de significado para quem sempre somente explorou sua conhecida zona de conforto. Fui longe para meus passos, vi o mar, vi outras paragens, e retornei crendo que os dragões e meigas que povoam nossos medos e pesadelos, são lendas facilmente esquecidas e quase sempre bem maiores em nossa imaginação. Volvi renovada; pronta para novas viagens... Tome você também o cabo de sua nau, desate o nó de seu barco, e deixe-se levar mar afora. Como alguém me disse, quando eu ainda era uma criança e não sabia nada sobre o mundo, “o melhor da viagem é sempre o regresso!”  

 

 

Bo Ano Nuevo!


28 -12-2013

Mais um ano se passou; 12 meses ficaram para trás...Todos envelhecemos: alguns sentados no sofá, ao celular, na TV, outros perdidos pelas ruas, muitos envolvidos nos afazeres diários, no trabalho que consome...Envelhecer é fácil, pois somos presas do tempo inexorável e avassalador que deixa marcas enquanto nos visita a cada segundo. Você envelheceu ou cresceu nesse ano que passou? Crescer requer, muitas vezes, conscientização, tomada de posição, mudar o rumo do barco e sentir novos ventos no rosto banhado de sol. Crescer dói; traduz-se na maioria dos casos em desapegos da rotina que nos corrói a alma e deixa tudo mais acomodado. Envelhecer é calmo, sereno e fatal. Não dá para tripudiar, enganar, fingir. Já o crescimento envolve coragem, pois não se divisam os limites. É como um barco atracado no cais; mas não foi para isso que ele foi feito. Foi concebido para ganhar o desconhecido, sofrer com as tormentas, ser jogado para lá e para cá, à mercê dos ventos. Esta é a metáfora do crecimento; uma fisgada no peito, uma dor na alma, um gosto estranho na boca de medo do desconhecido, do novo. Mas, crescer é também sabor de vitória; anônima, solitária...Porque o crescimento machuca e mostra o que antes não se podia enxergar, admitir, aceitar. Crescer é combater o inimigo que há dentro de si, e o prêmio é a sensação de se conhecer melhor, descobrir seu próprio mapa. O crescimento traz sabedoria e a sensação de paz. Que eu, você, todos nós, cresçamos em 2014. Feliz Ano Novo!

Santiago de Compostela, España.


Atlântico, visto da Europa. Praia de Samil, Vigo.


Tui, España. Caminhante por um dia. Muito frio e cansaço. Fiz meu Caminho, todavia...


Praia de Samil, em Vigo, Spain. 29-12-2013.


Açafrão direto da minha Galícia, para futuras criações perfumadas. Tesouro.


Peregrina na Espanha - Viagem à Galícia Máxica.



Neide Albano